O e-mail, outrora equivalente digital de uma carta escrita à mão, se transformou em grande medida num protocolo para scripts automatizados. Segundo análise recente da Hostinger, provedora de hospedagem de sites, impressionantes 87% do tráfego global de e-mails são gerados por sistemas automatizados, não por pessoas. Sobram apenas 13% das caixas de entrada do mundo para mensagens de fato concebidas e redigidas por seres humanos.

O dilúvio de conteúdo automatizado criou um ecossistema definido pela filtragem constante. O relatório destaca que mais da metade dos e-mails jamais chega aos olhos de alguém: apenas 44% das mensagens conseguem atravessar a barreira de protocolos antispam e antivírus até alcançar uma caixa de entrada. Não se trata de um obstáculo meramente técnico, mas de um sintoma de um meio cada vez mais congestionado pela própria eficiência em gerar ruído.

Para as gerações mais jovens, em especial a geração Alpha, o e-mail já começa a parecer um vestígio de outra época — uma formalidade burocrática, não um canal primário de conexão. À medida que a inteligência artificial continua a reduzir o custo de produzir correspondência em larga escala, a mudança parece ser estrutural. O e-mail está deixando de ser uma ferramenta de diálogo humano para se tornar um registro de fundo feito de alertas automatizados, sinais de marketing e comunicações entre máquinas.

Com reportagem de El País Tecnología.

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