Um predador que se recusou a desaparecer
Durante dois séculos, o lobo-vermelho (Canis rufus) foi alvo de uma campanha sistemática de extermínio nos Estados Unidos. Em 1980, a espécie foi oficialmente declarada extinta na natureza, sobrevivendo apenas num frágil programa de reprodução em cativeiro. Ainda assim, nas bordas pantanosas da costa do Golfo do Texas, relatos de figuras semelhantes a lobos persistiam. Em 2018, testes genéticos confirmaram o que moradores locais há muito suspeitavam: o lobo-vermelho não havia desaparecido por completo. Sua assinatura genética sobrevivia como "DNA fantasma" nas populações de coiotes da região — um eco biológico de um predador dado como perdido.
Agora, a Colossal Biosciences, startup de de-extinção conhecida por seus planos ambiciosos de ressuscitar o mamute-lanoso, afirma ter clonado o lobo-vermelho com sucesso. O movimento representa uma guinada dos domínios especulativos do Pleistoceno para as necessidades imediatas da conservação contemporânea. Ao utilizar material genético preservado e as linhagens híbridas encontradas na natureza, a empresa pretende restaurar uma espécie quase apagada pela expansão industrial do século 20.
O projeto levanta questões profundas sobre a natureza de uma espécie na era moderna. Se um lobo é clonado em laboratório e solto numa paisagem onde seus ancestrais foram caçados de forma sistemática, trata-se de uma restauração da vida selvagem ou de um fac-símile de alta tecnologia? Para os pesquisadores que rastreiam esses animais pela neblina do Texas, a resposta está na sobrevivência da linhagem, independentemente de como ela é alcançada. O retorno do lobo-vermelho sugere que, na era da biologia sintética, a extinção talvez não seja mais um estado permanente — mas um erro reversível.
Com reportagem de MIT Technology Review.
Source · MIT Technology Review


