Por décadas, a identidade do Grupo Televisa esteve indissociavelmente ligada a um único homem: Emilio Azcárraga Jean. Herdeiro da mais poderosa dinastia midiática do México, Azcárraga não apenas dirigia a empresa — ele personificava seu peso cultural e político. Essa era chegou a um fim abrupto em outubro de 2024, quando Azcárraga deixou o cargo de presidente executivo do conselho, um movimento precipitado pelas sombras persistentes de um escândalo global de corrupção.

O catalisador dessa saída é o interesse renovado do Departamento de Justiça dos Estados Unidos na investigação conhecida como "FIFA Gate". Embora a Televisa tenha pago US$ 95 milhões em 2023 para encerrar uma ação coletiva (class-action) relacionada ao suborno de dirigentes do futebol, a investigação federal foi reativada. Com a Copa do Mundo de 2026 — uma oportunidade comercial enorme para a emissora — no horizonte, o conselho decidiu blindar a companhia contra riscos jurídicos e reputacionais, afastando sua figura mais visível das operações cotidianas.

Nova estrutura de poder

O controle passou agora para Bernardo Gómez Martínez e Alfonso de Angoitia Noriega, que ocupam o cargo de copresidentes. Trata-se de mais do que uma troca de títulos; é uma reestruturação fundamental de poder. Azcárraga reduziu sua participação na empresa de 46,7% para aproximadamente 23,5%, cedendo o controle de voto à nova liderança. Ao assumir o comando, Gómez e de Angoitia herdam um império midiático forçado a escolher entre sua herança dinástica e sua sobrevivência num mercado global cada vez mais escrutinado.

Com reportagem de Expansión MX.

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