Por mais de uma década, o modelo dominante de crescimento de marca foi notavelmente simples: disponibilidade mental e disponibilidade física. Para crescer, uma marca precisava ser fácil de lembrar e fácil de encontrar. Esse modelo centrado no ser humano dependia das peculiaridades da nossa biologia — a maneira como uma cor específica ou um jingle grudento consegue empurrar o consumidor na direção de uma prateleira específica num supermercado lotado.
Mas à medida que agentes autônomos de IA começam a assumir decisões de compra, essa lógica começa a se desfazer. Quando uma máquina é encarregada de reabastecer uma despensa ou otimizar uma cadeia de suprimentos corporativa, ela é imune aos encantos da publicidade tradicional. Um modelo de linguagem de grande porte não sente nostalgia, nem se deixa influenciar pelo posicionamento inteligente de um produto na altura dos olhos. Pela primeira vez, o marketing enfrenta um comprador que opera com base em dados, não em impulso.
Essa mudança exige uma migração para o que se pode chamar de "disponibilidade algorítmica". Nesse novo cenário, o objetivo não é ocupar espaço na mente humana, mas atender aos parâmetros específicos definidos pelo código de um agente. O sucesso vai depender da capacidade de uma marca de se integrar a esses sistemas — garantindo que seus dados de produto estejam estruturados, que seus preços sejam dinamicamente competitivos e que sua utilidade seja quantificável. A arte da persuasão está sendo substituída pela ciência da otimização.
Com reportagem de Exame Inovação.
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