A fricção que define a experiência

A experiência tradicional numa concessionária de automóveis é definida por um tipo específico de fricção: a negociação persistente e ensaiada entre comprador e vendedor. A Epikar, empresa de tecnologia sul-coreana, aposta que o consumidor prefere um quiosque a um ser humano. Seu produto, o Pikar Genie — uma interface baseada em IA em fase de testes na Coreia do Sul e nos Estados Unidos —, pretende digitalizar a etapa de descoberta na compra de um carro, permitindo que o cliente compare especificações e tire dúvidas sem a pressão de um discurso movido a comissão.

Metade da equipe, mesma operação

Os ganhos de eficiência já aparecem nas primeiras implantações. Em uma concessionária da Renault em Seul, a integração do Pikar Genie permitiu que o showroom operasse com apenas três vendedores — metade do quadro normalmente necessário para uma loja daquele porte. Enquanto a IA assume o trabalho pesado de comparação de recursos e consulta de estoque, os funcionários humanos ficam reservados para as etapas finais, juridicamente mais complexas, de fechamento do negócio e assinatura de documentos.

Confiança ainda exige gente

Se esse modelo pode ser replicado globalmente é uma questão em aberto. Embora a interface digital ofereça velocidade, consultores do setor como Fleming Ford observam que o mercado americano, em particular, ainda enxerga o showroom como um espaço de construção de confiança. Para muita gente, um veículo continua sendo a segunda maior compra da vida, e o papel consultivo de um agente humano oferece uma rede de segurança psicológica que um quiosque com IA ainda não conseguiu replicar. O futuro da concessionária talvez não seja totalmente autônomo, mas sim um ambiente mais enxuto e híbrido, no qual o vendedor deixa de ser um persuasor para se tornar um facilitador.

Com reportagem de Canaltech.

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