Houve um tempo em que "beliscar" era visto como um deslize nutricional, uma concessão culinária feita entre as refeições principais. Hoje, essa percepção está sendo atropelada por uma mudança estrutural batizada de "snackificação". O fenômeno descreve a transição de um regime alimentar baseado em grandes rituais — café da manhã, almoço e jantar — para uma rotina de múltiplas pequenas ingestões ao longo do dia, adaptadas ao ritmo frenético da vida urbana.
Dados históricos, como uma pesquisa do Centro de Investigações Sociológicas (CIS) da Espanha, já apontavam que a média de refeições diárias orbitava os 3,5. Na época, metade da população ainda se agarrava ao modelo triplo clássico, mas a tendência de fragmentação já se mostrava irreversível. O que antes era uma exceção motivada pela pressa tornou-se um padrão de comportamento que dita o desenvolvimento de novos produtos pela indústria alimentícia.
Essa revolução silenciosa não se limita apenas à frequência, mas à natureza do que se consome. O snack deixou de ser sinônimo exclusivo de guloseimas vazias para incorporar exigências de funcionalidade e saúde. À medida que o tempo se torna o recurso mais escasso da modernidade, a cozinha deixa de ser o centro da organização doméstica para dar lugar a soluções portáteis que borram as fronteiras entre o lanche e a refeição completa.
Com informações de Xataka.
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