A siderurgia brasileira atravessa um período de realinhamento estrutural, impulsionado menos por um salto repentino de demanda e mais pelo endurecimento das barreiras comerciais. Mesmo após uma alta expressiva de 41% nos últimos seis meses, a Usiminas (USIM5) segue, na avaliação de analistas do Itaú BBA, subvalorizada — num mercado que ainda não precificou integralmente os efeitos das medidas antidumping recentes.
O catalisador dessa mudança é uma série de iniciativas de defesa comercial desenhadas para blindar os produtores domésticos contra a enxurrada de aço chinês de baixo custo. Na prática, essas medidas transformaram o cenário competitivo, tornando as importações chinesas uma opção cada vez menos viável para compradores locais. No vácuo deixado pela China, fornecedores globais alternativos ocuparam espaço, mas trouxeram consigo um piso de preços mais elevado — uma mudança que permite a gigantes domésticas como a Usiminas retomar poder de precificação.
O Itaú BBA reforçou recentemente sua recomendação de "outperform" para Usiminas, elevando o preço-alvo para o fim de 2026 de R$ 7,0 para R$ 9,0. Os analistas do banco sugerem que a avaliação atual do mercado ainda não reflete a natureza "estruturalmente mais protegida" do mercado brasileiro. A expectativa é que os custos mais altos de importação se traduzam em ajustes significativos de preços ao longo da cadeia de suprimentos até o terceiro trimestre deste ano.
O retorno do fosso doméstico
Essa trajetória ilustra uma tendência mais ampla na economia industrial: o retorno do fosso competitivo doméstico. Para a Usiminas, os próximos trimestres servirão de teste para verificar se esses ventos favoráveis protecionistas conseguem se converter em expansão sustentada de margens, à medida que o setor se ajusta a um mundo em que o aço barato e globalizado deixou de ser o padrão.
Com reportagem de InfoMoney.
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