Houve um tempo em que o guarda-roupa de um adolescente brasileiro era balizado por três logotipos onipresentes: o sol estilizado da Ocean Pacific (OP), o olhar agressivo da Bad Boy e a tipografia marcante da Fico. Mais do que vestuário, essas marcas operavam como códigos de pertencimento a uma cultura de praia e aventura que dominou o imaginário nacional entre meados dos anos 1980 e o fim dos 1990.

A ascensão dessas grifes acompanhou a profissionalização do surfe e do jiu-jítsu no Brasil, transformando nichos esportivos em fenômenos de consumo de massa. A Fico, por exemplo, nasceu da visão de Raphael Levy e tornou-se um gigante do setor, enquanto a norte-americana OP trouxe o glamour da Califórnia para as areias brasileiras. Já a Bad Boy, com sua estética ligada às artes marciais, capturou a testosterona de uma década ávida por ídolos do ringue.

Hoje, a sobrevivência dessas insígnias depende de um modelo de negócio focado no licenciamento. Longe das grandes fábricas próprias e das lojas de grife exclusivas, as marcas agora estampam produtos que vão de cadernos a calçados populares. A estratégia é monetizar a nostalgia de quem viveu o auge e, ao mesmo tempo, buscar capilaridade em novos canais de distribuição, provando que o valor emocional de uma marca pode durar mais do que o seu próprio ciclo de moda original.

Com informações de Exame Inovação.

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