Por décadas, o Grande Evento de Oxidação — uma transformação ocorrida há aproximadamente 2,3 bilhões de anos — serviu como a fronteira definitiva entre um mundo de micróbios anaeróbicos e o início da vida aeróbica que conhecemos hoje. Agora, uma nova pesquisa de geobiólogos do MIT sugere que a maquinaria biológica necessária para respirar oxigênio já estava em funcionamento centenas de milhões de anos antes do que se acreditava.
Ao mapear sequências de enzimas de milhares de organismos modernos em uma extensa árvore evolutiva, os pesquisadores rastrearam a origem de uma enzima-chave de utilização de oxigênio até o período Mesoarqueano, entre 3,2 e 2,8 bilhões de anos atrás. A descoberta aborda um enigma geoquímico persistente: se as cianobactérias produtoras de oxigênio surgiram cedo na história da Terra, por que o gás demorou tanto para se acumular na atmosfera?
A resposta pode estar na eficiência impressionante desses primeiros inovadores. O estudo sugere que, assim que as cianobactérias começaram a produzir pequenos "bolsões" de oxigênio, micróbios vizinhos desenvolveram enzimas para consumi-lo imediatamente. Esse consumo localizado impediu que o gás se acumulasse em escala global, mantendo a atmosfera em estado de estase enquanto a vida praticava a química da respiração nos bastidores. É um lembrete de que a inovação biológica frequentemente precede as evidências ambientais que deixa para trás.
Com reportagem de MIT Technology Review.
Source · MIT Technology Review


