Alex Karp, o excêntrico CEO da Palantir, nunca foi conhecido pela sutileza. Mas seu mais recente manifesto, extraído do livro *The Technological Republic*, eleva o tom para algo que beira o messianismo geopolítico. Em uma longa publicação recente, a empresa — braço tecnológico fundamental de agências como o Exército dos EUA e a ICE — delineou uma visão de mundo onde a sobrevivência das democracias liberais depende menos de ideais e mais de força bruta digital.

O cerne do argumento de Karp é o que ele chama de "hard power" construído sobre software. Para ele, a "decadência" das elites ocidentais só será perdoada se elas garantirem crescimento econômico e segurança pública. O texto descarta a ideia de que o apelo moral seja suficiente para a preservação das sociedades livres, sugerindo que o domínio tecnológico é a única linguagem que o século XXI compreende e respeita.

As propostas beiram o polêmico: o manifesto defende o serviço militar universal como um dever, a re-militarização da Alemanha e do Japão e critica abertamente a priorização da "inclusividade" em detrimento das culturas nacionais. Karp chega a classificar certas culturas como "disfuncionais e regressivas", enquanto defende a proteção da privacidade de figuras públicas e bilionários contra o escrutínio implacável da vida privada.

Ao posicionar o software de vigilância e defesa como a espinha dorsal da soberania, a Palantir deixa de ser apenas uma fornecedora de tecnologia para se tornar a ideóloga de um novo realismo político. Para os críticos, trata-se de um roteiro para uma distopia tecnocrática; para Karp, é o único caminho para que o Ocidente não sucumba à própria obsolescência diante de novos desafios globais.

Com informações de Engadget.

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