Um ano após seu lançamento, o observatório SPHEREx, da NASA, ofereceu uma nova perspectiva sobre a estrutura química da Via Láctea. Em um estudo recém-publicado sobre Cygnus X — um turbulento berçário de formação estelar —, a missão identificou assinaturas distintas de gelo de água e moléculas orgânicas complexas. As descobertas representam um passo significativo no objetivo central do observatório: catalogar a distribuição de gelo interestelar por toda a galáxia.
Diferentemente dos telescópios tradicionais, que capturam amplos espectros visuais, o SPHEREx (sigla em inglês para Spectro-Photometer for the History of the Universe, Epoch of Reionization, and Ices Explorer) opera em 102 comprimentos de onda infravermelhos distintos. Essa abordagem granular permite que pesquisadores identifiquem as impressões digitais químicas específicas de água, dióxido de carbono e monóxido de carbono. Essas substâncias não existem como gotículas flutuando livremente no vazio; em vez disso, aderem à superfície de grãos microscópicos de poeira, formando os reservatórios onde a grande maioria da água do universo é sintetizada e armazenada.
As implicações desse mapeamento vão além da mera cartografia celeste. O gelo observado em regiões como Cygnus X é o material ancestral da água encontrada em cometas, em luas distantes e nos oceanos da própria Terra. Ao rastrear essas moléculas congeladas até suas origens no meio interestelar, os astrônomos estão, na prática, lendo o prólogo da história da vida no nosso sistema solar.
Com reportagem de NASA Breaking News.
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