O cineasta Frederick Wiseman, morto em fevereiro deste ano, era frequentemente descrito como o equivalente cinematográfico de Mark Twain — um cronista do caráter americano tal como ele se manifesta em suas instituições. Seus filmes, que dispensam narração e entrevistas em favor da observação paciente, compõem um mapa vasto e minucioso dos sistemas que definem a vida cívica nos Estados Unidos. Com o país se aproximando de seu semiquincentenário em 2026, uma série de retrospectivas nacionais reposiciona a obra de Wiseman como o registro definitivo do experimento americano.
Em San Diego e Nova York, programas como "This Is America at 250" e "Frederick Wiseman's America" reúnem uma seleção dos estudos mais incisivos do diretor. As mostras percorrem décadas de carreira, dos ambientes rígidos de auditórios escolares e escritórios de assistência social às ruas movimentadas e poliglotas de Queens. Ao se concentrar na mecânica ordinária do poder — as "reuniões" em que políticas públicas se tornam realidade —, Wiseman capturou o atrito e a graça de uma sociedade em funcionamento.
Peça central dessas comemorações é a exibição de In Jackson Heights (2015), uma imersão de três horas em um dos bairros mais diversos do mundo. O filme funciona como microcosmo do projeto mais amplo de Wiseman: uma tentativa de documentar como indivíduos díspares navegam espaços compartilhados e a governança coletiva. Numa era de narrativas fragmentadas, a obra de Wiseman permanece como um testemunho silencioso e vital da complexidade duradoura da paisagem americana.
Com reportagem de Criterion Daily.
Source · Criterion Daily



