Desde sua criação em 2011, o festival de fotografia Circulation(s) ocupa um espaço singular no circuito europeu de arte: uma instituição profissionalizada que se recusa a abandonar sua pele de outsider. Fundado originalmente pelo coletivo francês Fetart em um parque na periferia de Paris, o festival passou a última década ancorado no Centquatre, um centro multidisciplinar de artes no bairro historicamente operário de La Villette. O espaço espelha a própria permeabilidade do evento — dançarinos de salsa e artistas circenses dividem um galpão industrial com teto de vidro e as imagens curadas dos talentos emergentes do continente.

A décima sexta edição, inaugurada nesta primavera, ocupa vinte mil pés quadrados de área expositiva. Sob a direção de um coletivo exclusivamente feminino de curadoras, o festival rejeita as estruturas temáticas rígidas e verticalizadas típicas das bienais de arte contemporânea. Em vez disso, a equipe analisa cerca de oitocentas inscrições de chamada aberta vindas de toda a Europa, buscando afinidades orgânicas — "fios condutores" em vez de diretrizes — que emergem das próprias obras. Essa abordagem preserva uma energia cinética particular, garantindo que o festival permaneça um reflexo de preocupações contemporâneas, e não uma palestra curada.

Ao manter uma atmosfera de acesso aberto, o Circulation(s) consegue fazer a ponte entre o mundo insulado da fotografia e a vida pública da cidade. O resultado é uma experiência democrática de fruição, em que os projetos de alta elaboração conceitual de jovens fotógrafos coexistem com os ritmos cotidianos do Centquatre. Trata-se de um modelo de integração cultural que sugere: a arte mais vital é, muitas vezes, aquela que se recusa a erguer muros entre si e a rua.

Com reportagem de Aperture.

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