Quando Tim Cook chegou à Apple, em março de 1998, a empresa estava longe de ser o colosso cultural e financeiro que é hoje. Recrutado da Compaq por um Steve Jobs recém-retornado ao comando, Cook encontrou uma companhia que queimava caixa e lutava para se firmar num mercado dominado pelo Windows. Enquanto Jobs fornecia o carisma incendiário e a direção estética, Cook trazia o gelo — uma disciplina operacional implacável que acabaria se tornando o verdadeiro motor de crescimento da empresa.

O mandato de Cook como CEO, iniciado em 2011, foi definido pela transição dos lançamentos grandiosos e pontuais da era Jobs para a construção de um ecossistema vasto e interconectado. Sob sua gestão, a Apple foi além do iPhone e passou a dominar o mercado de vestíveis com o Apple Watch e os AirPods, ao mesmo tempo em que pivotava para um modelo de serviços de alta margem. Cook não se limitou a vender hardware; ele construiu uma relação recorrente com bilhões de usuários por meio de software e assinaturas.

Críticos frequentemente argumentam que a Apple perdeu seu ímpeto revolucionário sob Cook, mas a realidade econômica sugere um tipo diferente de revolução. Ao dominar a cadeia de suprimentos global e diversificar as fontes de receita da empresa, Cook transformou uma fabricante de computadores de nicho numa corporação avaliada em trilhões de dólares. Seu legado é de escala e sustentabilidade — a prova de que, no setor de tecnologia, a genialidade do "como" costuma ser tão decisiva quanto a genialidade do "quê".

Com reportagem de Exame Inovação.

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