Nas praças e estações de transporte do México, a distância linguística entre o país e seu vizinho do norte se torna cada vez mais visível. Traduções literais, como "light train" para tren ligero, já são presença comum na sinalização voltada a visitantes internacionais. Embora tecnicamente compreensíveis, essas expressões carecem da precisão idiomática de "light rail" — e funcionam como um indício silencioso de um sistema educacional que não consegue fechar a lacuna de fluência.
Os dados confirmam esse atrito visual. De acordo com o mais recente índice da EF Education First, o México despencou para a 103ª posição global, tornando-se o país com pior desempenho em proficiência no inglês em toda a América Latina. O contraste com pares regionais é marcante: Argentina e Uruguai ocupam, respectivamente, o 26º e o 34º lugar no ranking. Mesmo enquanto o México aprofunda sua participação nas cadeias globais de suprimentos, a ferramenta fundamental do comércio internacional segue fora do alcance de uma parcela significativa de sua força de trabalho.
Connor Zwick, CEO da plataforma de aprendizado de idiomas Speak, sugere que a proximidade do México com os Estados Unidos cria uma falsa sensação de familiaridade. Embora muitos mexicanos tenham exposição significativa ao inglês por meio da cultura pop e do comércio transfronteiriço, essa exposição raramente se converte na precisão exigida para a comunicação profissional ou institucional de alto nível. Essa desconexão aponta para um mercado crescente de ferramentas especializadas de ensino de idiomas, mas também sinaliza um desafio estrutural para uma nação posicionada como porta de entrada primária do mercado norte-americano.
Com reportagem de Expansión MX.
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