Durante dois meses, a real extensão do dano ambiental na Sonda de Campeche permaneceu no terreno da especulação. Nesta semana, a Petróleos Mexicanos (Pemex) finalmente reconheceu sua responsabilidade por um derramamento significativo de hidrocarbonetos no Golfo do México, nas proximidades do complexo de plataformas Abkatún. Segundo o diretor da Pemex, Víctor Rodríguez, um levantamento aéreo realizado em 6 de fevereiro identificou pela primeira vez a presença de óleo próximo à plataforma Pol Alfa, o que acionou protocolos de contenção e recuperação que a empresa afirma ainda estarem em andamento.
O reconhecimento ocorre enquanto a estatal lida com um padrão recorrente de acidentes industriais. Poucos dias antes, em 13 de abril, outro vazamento foi registrado na refinaria de Deer Park, no Texas — instalação que a Pemex adquiriu integralmente em 2022. O incidente envolveu um derramamento de diesel no cais da refinaria, provocado por uma interação entre duas embarcações privadas. Embora o vazamento no Texas tenha recebido resposta emergencial de Nível 3 e notificação imediata à comunidade local, ele evidencia os obstáculos logísticos e de segurança que a Pemex enfrenta ao administrar infraestrutura envelhecida em diferentes países.
Mais do que falhas pontuais
Esses incidentes vão além de problemas logísticos isolados: representam um atrito persistente entre as metas intensivas de produção energética do México e as realidades ambientais da extração offshore. Para uma empresa que funciona como pilar da economia mexicana, a frequência crescente desses vazamentos sugere que o verdadeiro custo de sistemas petrolíferos defasados está cada vez mais difícil de quantificar — ou de conter.
Com reportagem de Expansión MX.
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