O sinal de Milão
No Salone del Mobile deste ano, em Milão — a feira de design mais influente do mundo —, uma nova exposição chamada Salone Raritas sinalizou uma mudança silenciosa, mas profunda, nas prioridades do setor. A mostra reúne edições limitadas, antiguidades de design e peças de alta artesania assinadas por nomes como Sabine Marcelis, Nilufar e Herzog & de Meuron, e representa a adesão institucional ao chamado "design colecionável". Se o "starchitect" perdeu protagonismo cultural nos últimos anos, o designer-estrela volta a ganhar terreno — produzindo objetos que privilegiam narrativa e procedência acima da simples utilidade.
A demanda pelo singular
Essa virada não se dirige ao consumidor comum, mas a um público profissional de incorporadores, arquitetos e designers de interiores. Num mercado global cada vez mais competitivo, esses compradores já não buscam a consistência previsível do mobiliário produzido em série. Em vez disso, procuram objetos únicos com uma história capaz de diferenciar seus projetos de hotelaria e corporativos. Como sugere a presidente do Salone, Maria Porro, a demanda pelo singular é uma resposta a um mundo em que o "útil" virou commodity, mas o "único" permanece um luxo.
O esgotamento moral da produção em massa
A ascensão do colecionável também reflete um esgotamento moral mais profundo com a manufatura em escala industrial. À medida que a produção em massa se associa cada vez mais à degradação ambiental e ao compromisso ético, o prestígio migrou para a raridade. O que se observa é uma reavaliação fundamental da finalidade do design: um afastamento dos ideais democráticos do século 20 em direção a uma nova era de artesania criativa de alto padrão. Nesse cenário, o valor de um objeto se mede menos pela sua função e mais pela mão que o produziu.
Com reportagem de Dezeen.
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