Frequentemente eclipsada pelo debate ruidoso entre baby boomers e millennials, a Geração X — hoje composta por indivíduos entre 45 e 61 anos — vive um momento de ajuste de contas com a história. Se os seus predecessores colheram os frutos de um crescimento econômico mais linear e os sucessores buscam novas formas de trabalho na economia digital, a "Geração Sanduíche" encontra-se presa em um interstício financeiro complexo.

No Brasil, esse grupo atravessou os anos de hiperinflação e sucessivas trocas de moeda, eventos que moldaram uma relação de urgência e, muitas vezes, de endividamento persistente com o capital. Agora, no auge de sua maturidade produtiva, muitos se veem como o único pilar de sustentação para pais idosos e filhos que demoram a conquistar independência, comprometendo a formação de reserva para a própria aposentadoria.

O legado dessas crises não é apenas estatístico, mas comportamental. Enquanto o mercado de inovação foca no potencial de consumo dos mais jovens, a Geração X lida com o pragmatismo de quem precisa gerenciar passivos históricos em um cenário de juros voláteis. É o paradoxo de uma geração que serviu de ponte para a modernidade tecnológica, mas que ainda luta para atravessar o próprio abismo financeiro.

Com informações de Exame Inovação.

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