Clareza estrutural em meio ao ruído

No ambiente de alto atrito do mercado de crédito brasileiro, onde a escalada dos juros e a insolvência corporativa criaram um clima de ansiedade generalizada, Rafael Fritsch enxerga um momento raro de clareza estrutural. O CIO da Root Capital, que administra cerca de R$ 8 bilhões (US$ 1,4 bilhão), sugere que a volatilidade atual não é apenas ruído — é um sinal de preço. Para Fritsch, o período que antecede 2026 representa uma janela única para investidores que possuam tanto a metodologia para analisar situações de estresse quanto a coragem para agir a partir delas.

Concentração como método, não como preferência

A estratégia da Root Capital se afasta radicalmente do padrão da indústria de ampla diversificação. Enquanto muitos fundos de crédito mantêm carteiras com 100 a 150 ativos diferentes, Fritsch limita a exposição da Root a algo entre 30 e 50. Não se trata de mera preferência por concentração; é o reconhecimento dos limites da supervisão humana. Fritsch argumenta que é "humanamente impossível" manter uma diligência rigorosa sobre 150 posições distintas, sobretudo num mercado como o brasileiro, onde, segundo ele, simplesmente não existem 150 ativos de alta qualidade disponíveis.

Garantias incomuns, retornos assimétricos

Essa abordagem disciplinada e de escopo restrito permite à gestora encontrar valor em lugares pouco convencionais, como a complexa reestruturação da mineradora Samarco. Ao olhar além do estresse aparente para identificar garantias tangíveis — e por vezes "inusitadas" — que outros ignoram, a firma aposta que os próximos dois anos vão recompensar quem souber distinguir um negócio em colapso de um risco mal precificado. Num mercado em que muitos estão recuando, a tese de Fritsch é simples: o risco é alto, mas o prêmio pela precisão nunca esteve tão visível.

Com reportagem de InfoMoney.

Source · InfoMoney