Durante décadas, a ideia de que árvores poderiam emitir luz durante uma tempestade permaneceu como curiosidade teórica, confinada a simulações de laboratório e às margens da física atmosférica. Recentemente, porém, pesquisadores operando a partir de uma minivan adaptada conseguiram documentar o fenômeno na natureza. Essas "descargas corona" — brilhos ultravioleta tênues que emanam das pontas afiadas das folhas — representam uma interação sutil, mas significativa, entre a terra e o céu.

A descoberta confirma que, sob os campos elétricos intensos de uma tempestade, as extremidades da copa florestal funcionam como condutores naturais. Essas pequenas descargas elétricas não são mero espetáculo visual: elas desencadeiam uma cascata de reações químicas. Ao ionizar o ar imediatamente ao redor da folhagem, as descargas produzem radicais hidroxila e outras moléculas altamente reativas.

O processo sugere que as florestas podem atuar como imensos purificadores de ar descentralizados durante episódios climáticos extremos. Essas moléculas reativas são capazes de decompor gases de efeito estufa e poluentes, limpando a atmosfera de forma efetiva. A descoberta reposiciona a floresta não apenas como sumidouro de carbono ou ecossistema passivo, mas como participante elétrica ativa na regulação química do planeta.

Com reportagem de Science Daily.

Source · Science Daily