Convecção granular é um fenômeno físico curioso: quando uma mistura de partículas é agitada, as maiores sobem ao topo, independentemente de sua densidade. Conhecido como "efeito castanha-do-pará" (ou "Brazil nut effect"), é o princípio que explica por que os pedaços maiores num pote de mix de nuts sempre aparecem na superfície depois de algumas sacudidas. Pesquisadores do Self-Assembly Lab do MIT, liderados pelo professor associado Skylar Tibbits, estão aplicando esse mecanismo a um problema antigo: a natureza padronizada — e frequentemente inadequada — dos calçados produzidos em massa.

Para atletas de elite, o calçado é um produto sob medida, ajustado com precisão ao formato do pé e a pontos específicos de pressão. Para todos os demais, tênis são produtos estáticos, projetados para uma média estatística. Tibbits e sua equipe estão desenvolvendo entressolas preenchidas com materiais granulares que se reorganizam durante o próprio ato de correr. Conforme o corredor se movimenta, a agitação constante faz com que as partículas dentro do calçado se desloquem, formando progressivamente uma estrutura de suporte personalizada que responde à pisada única de cada usuário.

A abordagem se distancia de modelos tradicionais de fabricação, como impressão 3D ou moldagem, que fixam o design ainda na fábrica. Em vez disso, o tênis se torna uma interface dinâmica que amadurece com o uso. Ao aproveitar o comportamento intrínseco da matéria, os pesquisadores esperam democratizar a personalização de alto desempenho — permitindo que um calçado "aprenda" o pé que carrega pela simples física do movimento.

Com reportagem de MIT News.

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