O cenário automotivo brasileiro atravessa uma transformação silenciosa, mas profunda. Onde antes reinavam sedãs de luxo de marcas generalistas — como o Chevrolet Omega, o Volkswagen Santana Executive e o Ford Fusion —, hoje restou um vácuo mercadológico. As montadoras tradicionais redirecionaram seus investimentos para o volume dos SUVs e hatches de entrada, deixando os entusiastas de três volumes em uma encruzilhada entre os caríssimos modelos alemães ou a escassez de opções.
Lançado no Brasil em novembro de 2006, o Ford Fusion rapidamente se tornou uma insígnia de status e sofisticação. Importado do México na versão SEL com motor 2.3 de 162 cv, o modelo oferecia um equilíbrio entre desempenho e conforto que o levou, inclusive, a integrar a frota presidencial do país. Era a resposta para quem buscava o refinamento de um executivo sem necessariamente migrar para o nicho de luxo estrito de BMW ou Mercedes-Benz.
Hoje, o exercício de imaginar o preço de um Fusion corrigido pela inflação revela não apenas o encarecimento da produção, mas uma mudança drástica de prioridades das fabricantes. Com o foco em modelos de alto volume e margens otimizadas, o sedã médio-grande tornou-se uma espécie em extinção no portfólio das marcas populares, sendo substituído por utilitários esportivos que, embora tecnológicos, muitas vezes não replicam a experiência de condução dos clássicos sedãs.
Com informações de Canaltech.
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