A NASA concedeu à SpaceX um contrato de US$ 175,7 milhões para lançar o rover Rosalind Franklin, da Agência Espacial Europeia (ESA), em missão prevista para o fim de 2028. O acordo prevê que um foguete Falcon Heavy transporte o rover — adiado diversas vezes — até Marte, marcando mais uma incursão de alto risco no espaço profundo para a empresa aeroespacial privada. O contrato, porém, vem com um enorme asterisco: a missão em si pode nunca sair do papel.

A incerteza tem origem na proposta orçamentária do governo americano para o ano fiscal de 2027, que prevê um corte de aproximadamente 23% nos recursos destinados à área científica da NASA. Esse aperto fiscal coloca a Rosalind Franklin — junto com quase 50 outras missões científicas — na lista de possíveis cancelamentos. A decisão da NASA de garantir desde já uma reserva de lançamento parece ser uma jogada pragmática, uma tentativa de manter o projeto em movimento enquanto a Planetary Society e diversos congressistas pressionam pela recomposição do financiamento.

O programa ExoMars sempre foi um estudo de caso em fragilidade geopolítica e orçamentária. Esta é, na verdade, a segunda tentativa da NASA de participar da parceria; os Estados Unidos abandonaram seus compromissos originais em 2012, durante um período anterior de austeridade. A ESA recorreu então à Rússia, uma colaboração que desmoronou após a invasão da Ucrânia. Pelo acordo firmado em 2024, os EUA devem fornecer o veículo lançador, os motores de frenagem para a descida e componentes eletrônicos essenciais.

Para a SpaceX, a missão representa uma oportunidade rara de demonstrar o alcance interplanetário do Falcon Heavy para além do espetáculo midiático de sua estreia em 2018. Contudo, à medida que a missão entra na fase em que ciência e cronogramas disputam espaço no orçamento federal, o voo da Rosalind Franklin continua sendo tanto uma questão de vontade política quanto de mecânica orbital.

Com reportagem de Payload Space.

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