Nas profundezas pressurizadas de Urano e Netuno, as fronteiras convencionais entre os estados da matéria parecem se dissolver. Segundo novas simulações avançadas, o calor extremo e as forças gravitacionais esmagadoras desses "gigantes de gelo" podem forjar um estado híbrido bizarro da matéria — que não é inteiramente sólido nem puramente líquido.
Nessa fase "superiônica", carbono e hidrogênio se comportam com uma autonomia estranha e coordenada. Enquanto os átomos de carbono se travam numa estrutura cristalina rígida, os átomos de hidrogênio permanecem móveis, espiralando pela rede sólida como um fluido. Essa dualidade estrutural cria um material que possui a integridade de um sólido, mas as propriedades de transporte de um líquido — um fenômeno que desafia os modelos planetários convencionais.
A descoberta oferece uma solução potencial para um dos mistérios mais persistentes do sistema solar exterior: os campos magnéticos erráticos e assimétricos de Urano e Netuno. Se essa matéria superiônica existir em larga escala, sua capacidade singular de conduzir eletricidade e calor alteraria de forma fundamental o modo como a energia se move pelo núcleo de um planeta. Compreender essa dinâmica interna é pré-requisito para mapear a evolução do nosso sistema solar — e para identificar a composição de mundos semelhantes em órbita de estrelas distantes.
Com reportagem de Science Daily.
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