No debate contemporâneo sobre transição energética, painéis solares e parques eólicos offshore costumam concentrar os holofotes. Ainda assim, a base da geração renovável mundial continua sendo a usina hidrelétrica — uma proeza de engenharia do século 20 que segue entregando a escala e a estabilidade que fontes intermitentes muitas vezes não conseguem oferecer. Essas instalações colossais são mais do que infraestrutura: são monumentos à ambição industrial e à sorte geográfica.

O ranking global de capacidade hidrelétrica é hoje dominado por duas nações: China e Brasil. A Usina de Três Gargantas, na China, permanece como a líder incontestável — um colosso estrutural que redesenhou o curso do rio Yangtze. O Brasil, por sua vez, consolidou posição de destaque entre as dez maiores graças à exploração de seus vastos sistemas fluviais. A Itaipu Binacional, compartilhada com o Paraguai, ocupou o topo do ranking por anos antes da conclusão de Três Gargantas e segue como pilar fundamental da segurança energética sul-americana.

Além de Itaipu, a presença brasileira na lista inclui Belo Monte e Tucuruí, reflexo de uma estratégia de décadas para aproveitar a topografia singular do país. Se por um lado esses projetos fornecem a energia de base necessária à industrialização, por outro carregam um legado complicado de contrapartidas ambientais e sociais. A escala dos reservatórios frequentemente exige a alteração permanente de ecossistemas — um fato que tem redirecionado projetos renováveis mais recentes para tecnologias menos invasivas.

À medida que o mundo busca descarbonizar sua matriz, o papel desses "gigantes" está em transformação. Cada vez mais, as grandes hidrelétricas funcionam como baterias de larga escala, armazenando energia potencial que pode ser liberada quando o sol não brilha ou o vento não sopra. Mesmo diante da tendência de descentralização das redes elétricas, as maiores barragens do planeta continuam a ser a mão firme num cenário energético em constante oscilação.

Com reportagem de [Exame Inovação].

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