O mapa econômico da União Europeia é cada vez mais definido por uma concentração extrema. Segundo dados recentes do Eurostat, a riqueza já não se distribui por amplas faixas nacionais — ela se acumula em um punhado de polos hiperprodutivos. A região Eastern and Midland da Irlanda lidera o continente, com um PIB per capita medido em padrão de poder de compra (PPS) equivalente a 268% da média da UE. Esse número, junto com a segunda colocação de Luxemburgo, reflete o impacto profundo da atividade corporativa multinacional e de ambientes fiscais favoráveis sobre a contabilidade regional.
A história mais reveladora, porém, está na ascensão das capitais da Europa Central e Oriental. Praga e Bucareste-Ilfov ocupam agora a quinta e a sétima posição, respectivamente, entre as regiões mais ricas da UE, superando potências tradicionais do Ocidente como Bruxelas e Berlim. Esse salto evidencia um "efeito capital", em que infraestrutura, talento e investimento estrangeiro se concentram em um único núcleo urbano, muitas vezes deixando a periferia rural ao redor em uma realidade econômica completamente distinta. Nessas regiões, o custo de vida permanece relativamente baixo, enquanto a produtividade — impulsionada por tecnologia e serviços — disparou.
Os dados sugerem que a tradicional divisão econômica Leste-Oeste está sendo substituída por uma fratura mais sofisticada, entre o urbano e o rural. À medida que a riqueza se torna mais móvel e atrelada a propriedade intelectual e serviços financeiros, as regiões capazes de ancorar esses ativos veem seu PIB per capita disparar muito além da norma. Para a UE, o desafio continua sendo garantir que a prosperidade desses enclaves de alto desempenho eventualmente se difunda pela economia continental mais ampla.
Com reportagem de Visual Capitalist.
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