Ouro e prata recuaram nesta terça-feira, pressionados pelo atrito diplomático de alto risco e pela força do dólar. Na Comex, o contrato futuro de ouro para junho caiu 2,26%, a US$ 4.719,60 por onça, enquanto a prata registrou queda ainda mais acentuada, de 4,43%. A volatilidade veio na esteira de relatos de que as negociações programadas entre Estados Unidos e Irã, no Paquistão, poderiam ser suspensas — um desdobramento que complica a narrativa de uma desescalada rápida no Oriente Médio.

Os sinais diplomáticos seguem ambíguos. Embora o presidente Donald Trump tenha mantido uma postura linha-dura, descartando a extensão do atual cessar-fogo, a localização física de autoridades-chave passou a funcionar como indicador de mercado. A presença do vice-presidente JD Vance em Washington, participando de reuniões na Casa Branca — e não no Paquistão —, alimentou a especulação de que um avanço diplomático não está próximo. Esse cenário de incerteza, paradoxalmente, fortaleceu o dólar americano, que costuma atuar como refúgio primário em períodos de tensão geopolítica, exercendo pressão adicional sobre commodities cotadas na moeda, como o ouro.

Para além das manchetes imediatas, há uma mudança mais ampla na forma como os países administram seus balanços. Analistas da TD Securities avaliam que, à medida que o temor imediato de um conflito ampliado oscila, o apetite por diversificar reservas em ouro está sendo ofuscado por necessidades econômicas mais urgentes. Para muitos países, a prioridade se deslocou para garantir importações de energia e estabilizar suas moedas domésticas. Nesse ambiente, o tradicional "porto seguro" do ouro está sendo trocado pela liquidez e utilidade do dólar e pela necessidade de segurança energética.

Com reportagem de InfoMoney.

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