Durante décadas, o ethos do ambientalismo pendeu para o misantrópico. A lógica dominante sugeria que a melhor forma de salvar uma paisagem era cercar as pessoas do lado de fora, tratando a humanidade como uma força inerentemente destrutiva, apartada da natureza "intocada". Mas uma mudança de paradigma está em curso. Conservacionistas reconhecem cada vez mais que a intervenção humana — quando orientada por inteligência ecológica — é muitas vezes essencial para a biodiversidade.

Essa virada se manifesta no resgate de práticas indígenas de queima controlada para prevenir incêndios florestais catastróficos e na constatação de que certas pradarias ancestrais só prosperam quando são ativamente manejadas. Até a cidade se tornou palco de sinergias inesperadas: o falcão-peregrino, que esteve à beira da extinção, hoje prolifera no topo de arranha-céus, alimentando-se de presas urbanas. Esses exemplos indicam que o objetivo do século 21 não é recuar diante da natureza, mas refinar nosso papel dentro dela.

A dificuldade está em como medir esse sucesso. Nossas métricas ambientais atuais são construídas quase exclusivamente sobre o medo: partes por milhão de dióxido de carbono, taxas de extinção, violação de limites planetários. Embora esses indicadores sejam vitais, eles não capturam o potencial positivo do vínculo entre humanos e natureza. Em um encontro recente em Oxford, pesquisadores deram início à difícil tarefa de desenvolver ferramentas para quantificar a "harmonia" — uma tentativa de transformar um ideal filosófico vago em um arcabouço científico preciso para a coexistência.

Com reportagem de MIT Technology Review.

Source · MIT Technology Review