O Pentágono encerrou de vez o Global Positioning System Next-Generation Operational Control System, conhecido como OCX, pondo fim a uma saga de 16 anos marcada por atrasos técnicos e custos fora de controle. A decisão, anunciada pela Força Espacial dos Estados Unidos, representa o cancelamento de um esforço bilionário para modernizar a infraestrutura terrestre que opera a constelação de navegação mais crítica do planeta — usada tanto pelos militares americanos quanto pelo restante do mundo.
Concebido como a espinha dorsal de software para a geração mais recente de satélites GPS III, o OCX deveria gerenciar sinais novos e mais seguros, além de oferecer um sistema de comando e controle mais resiliente. O programa, porém, tornou-se um caso de manual das armadilhas de aquisição em projetos "intensivos em software" que costumam assombrar grandes contratos de defesa. Embora os primeiros satélites GPS III tenham entrado em órbita em 2018, os sistemas terrestres projetados para liberar todo o seu potencial permaneceram presos num ciclo interminável de testes e falhas.
O cancelamento evidencia uma mudança na forma como os militares encaram seus ativos orbitais. Numa era em que hardware é lançado ao espaço num ritmo sem precedentes, os ciclos de aquisição lentos e monolíticos herdados do início dos anos 2000 se mostram cada vez mais insustentáveis. Para a Força Espacial, os problemas "intransponíveis" do OCX representam mais do que um investimento perdido — são um sinal de que os métodos tradicionais de construção de infraestrutura espacial já não servem ao propósito.
Com reportagem de Ars Technica Space.
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