O atrito geopolítico entre Pequim e Bruxelas encontrou um novo ponto de tensão no campo digital. Na segunda-feira, o Ministério do Comércio da China sinalizou que adotará "contramedidas necessárias" caso a União Europeia siga adiante com uma legislação de cibersegurança que Pequim enxerga como tentativa velada de marginalizar empresas chinesas. A lei em questão, apresentada em janeiro, tem como objetivo fortalecer a infraestrutura digital e as cadeias de suprimento do bloco, mas rapidamente se transformou em símbolo da crescente desconfiança entre as duas potências econômicas.
Segundo um porta-voz do ministério, a proposta legislativa introduz critérios "altamente subjetivos e arbitrários" sob o pretexto de segurança nacional. Pequim argumenta que as medidas são inerentemente discriminatórias, concebidas para criar barreiras a fornecedores de tecnologia chineses que há tempos buscam ampliar sua presença no mercado europeu. A retórica evidencia uma divisão cada vez mais profunda, em que padrões técnicos são progressivamente utilizados como instrumentos de política comercial.
Essa tensão reflete uma mudança global mais ampla rumo à soberania digital. Ao buscar isolar seus sistemas críticos de interferências externas, a UE enfrenta o desafio de equilibrar segurança com as realidades de uma cadeia de suprimentos globalizada. Para a China, o movimento europeu representa uma guinada protecionista que pode deflagrar um ciclo de medidas retaliatórias, complicando ainda mais o cenário para empresas multinacionais de tecnologia apanhadas no fogo cruzado.
Com reportagem de Exame Inovação.
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