A fragilidade dos corredores globais de energia voltou a ficar exposta. Com as tensões geopolíticas no Oriente Médio interrompendo o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz — ponto de passagem de cerca de 20% da oferta mundial —, os preços do barril subiram mais de 30% desde o fim de fevereiro. Essa volatilidade força uma reavaliação pragmática da segurança energética e empurra os biocombustíveis da periferia da política ambiental de volta ao centro da estratégia industrial.
A mudança é impulsionada por uma divergência acentuada nos preços das commodities. Enquanto o petróleo disparou, o custo do milho — principal matéria-prima do etanol — subiu apenas 5%. Esse descolamento crescente silenciou, ao menos temporariamente, o antigo debate entre "alimentos versus combustíveis". No cenário atual, a necessidade de estabilizar os preços na bomba e reduzir a dependência de importações caras e vulneráveis se sobrepõe às preocupações com o desvio da produção agrícola.
A virada é mais nítida na Ásia, região que absorve quase 80% do petróleo que passa pelo Golfo Pérsico, agora sob pressão. Diante da perspectiva de interrupções prolongadas no fornecimento, países da região estão acelerando a transição para alternativas de origem orgânica. O Vietnã, por exemplo, sinalizou no fim de março uma decisão firme de migrar integralmente para gasolina misturada com etanol. Ao integrar combustíveis de base vegetal à infraestrutura existente, essas economias tentam se blindar de um mercado global que permanece refém de um punhado de rotas marítimas cada vez mais voláteis.
Com reportagem de InfoMoney.
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