Quando a arquitetura se torna vítima

A arquitetura costuma ser a baixa mais visível do tempo, da turbulência política e do descaso urbano. Para frear essa erosão cultural, a Trienal de Arquitetura de Sharjah (SAT) anunciou uma nova exposição: A Journey into Architecture Archives: Baghdad, Damascus, Tunis. Com curadoria de George Arbid, a mostra funciona como uma intervenção crítica no modo como a história construída do mundo árabe é documentada e compreendida.

Além das plantas baixas

Com abertura prevista para maio de 2026 na Al Qasimiyah School, a exposição é o resultado mais recente do programa de pesquisa de longo prazo da SAT, dedicado à salvaguarda dos legados arquitetônicos regionais. O projeto vai além da exibição convencional de projetos técnicos, entrelaçando materiais de arquivo, maquetes físicas e filmes recém-comissionados. Esses elementos buscam reconstruir a narrativa de cidades como Túnis — exemplificada pela forma invertida e marcante do Hotel du Lac, projetado por Raffaele Contigiani em 1973 — e as camadas modernistas de Bagdá e Damasco.

O arquivo como ferramenta viva

A exposição funciona como mais do que uma retrospectiva; é uma investigação sobre a mecânica da memória. Ao se concentrar nesses três centros urbanos específicos, Arbid examina como histórias arquitetônicas são construídas e revisitadas ao longo de décadas. Com isso, a Trienal posiciona o arquivo não como um repositório estático do passado, mas como um instrumento vital e vivo para orientar o futuro das paisagens urbanas da região.

Com reportagem de ArchDaily.

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