Investigação mira moderação do X e conteúdo ilícito

Autoridades francesas intimaram Elon Musk e a ex-CEO do X, Linda Yaccarino, a comparecer em Paris para prestar depoimento em uma investigação cada vez mais ampla sobre as práticas de moderação da plataforma. O inquérito, conduzido pela unidade de crimes cibernéticos da promotoria de Paris, tem como foco a suposta proliferação de material de abuso sexual infantil e conteúdo deepfake no site. A convocação é desdobramento de uma busca realizada nos escritórios franceses do X em fevereiro, parte de um caso aberto no início de 2025.

Suspeita de manipulação de mercado com IA

Para além das preocupações imediatas com imagens ilícitas, os promotores franceses investigam uma tese mais complexa de conduta corporativa irregular. A alegação é de que controvérsias envolvendo deepfakes gerados pelo Grok, o sistema de inteligência artificial do X, podem ter sido orquestradas para inflar artificialmente a avaliação das diversas empresas de Musk às vésperas de uma grande listagem no mercado. Embora as autoridades francesas tenham alertado seus pares americanos sobre essas suspeitas, reportagens indicam que oficiais de Justiça dos Estados Unidos até o momento se recusaram a colaborar com a investigação — decisão que Musk elogiou publicamente em sua plataforma.

Atrito crescente entre reguladores europeus e o X

Os depoimentos estão classificados, por ora, como voluntários, e ainda não se sabe se Musk ou Yaccarino comparecerão pessoalmente. O caso evidencia a fricção crescente entre reguladores europeus, cada vez mais agressivos na aplicação de padrões de segurança digital, e a postura de não intervenção sob a bandeira da "liberdade de expressão" defendida pela liderança do X. Para Musk, a intimação representa mais uma frente em uma batalha jurídica global sobre a responsabilidade dos donos de plataformas pelo conteúdo que hospedam e pelos algoritmos que utilizam.

Com reportagem de Fast Company.

Source · Fast Company