A aposta futurista da GM
No início dos anos 1990, a General Motors tentou reinventar o conceito de minivan familiar com um trio de modelos apelidados de "Dustbuster": o Chevrolet Lumina APV, o Pontiac Trans Sport e o Oldsmobile Silhouette. Eram veículos ousados, com carroceria de plástico e uma estética futurista radical — a silhueta inclinada lembrava mais um ônibus espacial do que um carro de família. O problema é que esse compromisso com uma linguagem visual específica levou a um erro fundamental de ergonomia.
Portas que atacavam o motorista
O design trazia portas dianteiras com uma borda traseira afiada e inclinada — uma espécie de "aleta" que se estendia além do marco da janela para acompanhar o caimento agressivo da carroceria. Embora visualmente marcante, a geometria era traiçoeira. Quando o motorista ou passageiro puxava a maçaneta externa para abrir a porta, essa extensão pontiaguda girava para fora na altura dos olhos, atingindo com frequência quem tentava entrar no veículo. Era um caso raro em que o simples ato de abrir a porta de um carro podia resultar em uma lesão no rosto.
A solução foi um adesivo
Em vez de redesenhar o conjunto da porta para priorizar a segurança do usuário, a solução da GM foi notavelmente rudimentar. A montadora passou a aplicar pequenos adesivos transparentes de advertência no vidro da janela. O texto alertava que a "extensão da porta pode causar lesões", transferindo ao consumidor — e à sua atenção — a responsabilidade por uma falha de projeto. O episódio permanece como um caso emblemático de design industrial: uma ilustração do que acontece quando a busca por uma silhueta "futurista" ignora a interação física mais básica entre um ser humano e uma máquina.
Com reportagem de The Drive.
Source · The Drive



