A ironia do plástico no oceano costuma ser enquadrada como uma tragédia da permanência — um material que se recusa a desaparecer e, em vez disso, se decompõe numa mímica dos ecossistemas que desloca. Um novo projeto colaborativo, batizado de "Rushera", busca reformular essa relação. Desenvolvida pelo estúdio de design Object with Name e pela fabricante de materiais Plastic Bakery, a coleção reúne acessórios escultóricos que tomam emprestada a linguagem visual de corais e organismos marinhos, produzidos inteiramente com plástico 100% reciclado.
O processo de fabricação é um exercício de caos controlado. Em vez de buscar o acabamento uniforme típico dos plásticos industriais, os designers manipulam técnicas de fusão, fundição e moldagem para evidenciar as inconsistências inerentes ao material. Ao variar temperatura e pressão durante a fase de resfriamento, geram texturas em camadas e geometrias irregulares. Esses padrões imprevisíveis não são tratados como defeitos, mas como características definidoras do trabalho — espelhando o crescimento orgânico dos recifes que as peças evocam.
Rushera funciona ao mesmo tempo como estudo de materiais e como comentário narrativo sobre o ciclo de vida dos resíduos sintéticos. Ao elevar polímeros descartados à condição de objetos de design sofisticado, o projeto investiga como detritos industriais podem ser reabsorvidos numa nova espécie de naturalismo. A proposta sugere que o futuro do design sustentável passa por abraçar as propriedades físicas do lixo, convertendo a durabilidade obstinada do plástico em meio de expressão escultórica.
Com reportagem de Designboom.
Source · Designboom



