A engrenagem administrativa da democracia peruana entrou em marcha lenta enquanto autoridades iniciam o trabalho minucioso de revisar milhares de cédulas contestadas na eleição geral de 12 de abril. O Júri Nacional de Eleições (JNE) anunciou na segunda-feira que audiências públicas já estão em andamento para tratar de inconsistências, erros de preenchimento e dados ausentes em cerca de 6% das seções de votação do país. Esse gargalo processual envolve mais de um milhão de votos e mantém a apuração oficial travada em 94% de conclusão.
Embora a líder conservadora Keiko Fujimori tenha mantido uma dianteira estável, a identidade de seu adversário no segundo turno de junho permanece indefinida por conta dessas margens ainda não contabilizadas. O Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) observou que as irregularidades são em grande parte técnicas — vão de assinaturas ausentes a erros aritméticos nas atas de apuração —, mas o volume de documentos contestados exige uma análise transparente, linha por linha, para garantir a legitimidade da contagem final.
O JNE estabeleceu o prazo de 15 de maio para a consolidação dos resultados, um cronograma que visa dar aos candidatos classificados tempo suficiente para organizar suas campanhas de segundo turno. Por ora, o processo funciona como um lembrete do atrito inerente a sistemas democráticos baseados em papel quando as margens são estreitas e o escrutínio processual é rigoroso. Além da disputa presidencial, a revisão abrange também as eleições simultâneas para o Legislativo peruano, o que torna o exercício burocrático ainda mais denso.
Com reportagem de InfoMoney.
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