O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, sinalizou um endurecimento de posição em relação a Washington nesta segunda-feira, ao classificar as recentes manobras diplomáticas americanas como uma exigência de "rendição" — e não como abertura para negociação. Em declaração publicada nas redes sociais, Pezeshkian citou uma "profunda desconfiança histórica" em relação à política americana, argumentando que os recentes sinais "não construtivos e contraditórios" de autoridades dos EUA sugerem um ultimato que Teerã não está disposta a aceitar. "Os iranianos não se submetem à força", afirmou, enfatizando que qualquer diálogo significativo precisa ter como base o cumprimento de compromissos anteriores.

O atrito surge em um momento delicado da diplomacia regional. Uma delegação americana de alto nível — que inclui o vice-presidente JD Vance, o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner — está a caminho do Paquistão para conversações. Enquanto isso, o presidente Donald Trump mantém uma postura de confronto calculado, alertando que, caso o atual cessar-fogo expire, "muitas bombas vão começar a explodir". Esse cenário de escalada enquadra o encontro que se aproxima em Islamabad, onde uma delegação iraniana deve chegar na terça-feira para uma rodada crítica de negociações.

Para Pezeshkian, o desafio continua sendo equilibrar a pressão doméstica com a necessidade existencial de navegar as sanções e ameaças militares dos EUA. Ao enquadrar a abordagem americana como uma busca por capitulação total, o presidente iraniano traça uma linha clara antes do início da cúpula em Islamabad. Se a presença de negociadores experientes como Kushner será capaz de transpor essa divisão retórica, ainda está por se ver — ambas as nações parecem presas em um ciclo de demonstrações de força e desconfiança estratégica.

Com reportagem de InfoMoney.

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