Subida perfeita, entrega frustrada

A coreografia de um voo espacial moderno exige dois sucessos distintos: a subida e a entrega. No domingo, a Blue Origin, de Jeff Bezos, cumpriu a primeira etapa, mas falhou na segunda durante o terceiro voo do New Glenn, seu foguete de carga pesada. O booster executou um lançamento bem-sucedido e retornou à Terra de forma controlada, porém o objetivo principal da missão — a implantação do satélite BlueBird 7, da AST SpaceMobile — terminou em fracasso, gerando ondas de choque no incipiente setor de internet baseada no espaço.

Ações da AST SpaceMobile em queda livre

Para a AST SpaceMobile, a implantação tinha peso enorme. A empresa pretende fornecer banda larga celular diretamente do espaço, uma façanha que depende de uma constelação de satélites massivos e desdobráveis. A falha na liberação do BlueBird 7 desencadeou uma venda acentuada das ações ASTS, com investidores recalibrando o cronograma para uma rede orbital funcional. No ambiente implacável da órbita terrestre baixa, uma falha técnica durante a implantação pode transformar um ativo de milhões de dólares em um pedaço silencioso de lixo orbital.

Blue Origin ainda distante da SpaceX

O episódio também funciona como um banho de realidade para a Blue Origin. O New Glenn foi projetado para competir diretamente com o Falcon 9 e o Falcon Heavy, da SpaceX, oferecendo maior capacidade de carga útil para atrair clientes governamentais e comerciais. Contudo, apesar da recuperação bem-sucedida do booster, a falha em entregar a carga com segurança evidencia a distância entre a Blue Origin e sua principal rival. Na corrida espacial privada, confiabilidade é a única moeda que importa — e, por ora, o caminho até a paridade continua íngreme.

Com reportagem de Fast Company.

Source · Fast Company