Romeu Zema, governador de Minas Gerais e provável candidato à Presidência em 2026, intensificou a disputa pública com o Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista recente, Zema recorreu a uma analogia provocativa: comparou o que classifica como falhas morais dentro da corte ao histórico de encobrimento de abusos na Igreja Católica. A retórica marca um endurecimento significativo da persona de "outsider" que o governador cultiva enquanto se posiciona para uma candidatura nacional.

A reação do Judiciário foi imediata. O ministro Gilmar Mendes encaminhou pedido formal para que o ministro Alexandre de Moraes — responsável por inquéritos de grande repercussão sobre atos antidemocráticos — investigue Zema. O pedido se soma à atividade do governador nas redes sociais, incluindo um vídeo que satiriza o tribunal. Zema sustenta que sua posição não é extremista, mas um reflexo da indignação popular diante da proximidade da corte com figuras controversas do mercado financeiro e de supostos conflitos de interesse.

No centro da disputa estão alegações de relações impróprias entre ministros e o setor privado. Zema citou especificamente reportagens envolvendo Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, e contratos jurídicos mantidos por familiares de ministros em exercício. Embora o STF ainda não tenha emitido uma resposta formal às declarações mais recentes do governador, o confronto evidencia uma crise institucional cada vez mais profunda no Brasil, onde os limites entre fiscalização judicial e campanha eleitoral se tornam progressivamente indistintos.

Com reportagem de InfoMoney.

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