O novo huachicol: do combustível ao petróleo bruto
Durante anos, a crise energética do México foi definida pelo furto de gasolina refinada — prática conhecida localmente como huachicol. Mas uma economia paralela mais sofisticada e lucrativa se consolidou: o roubo de petróleo cru. Em 2025, a Petróleos Mexicanos (Pemex) perdeu em média 53.200 barris de petróleo bruto por dia, aumento de 12,7% em relação ao ano anterior. Segundo o analista de energia Francisco Banés de Castro, o impacto financeiro dessa drenagem alcançou aproximadamente US$ 1,2 bilhão por ano.
Contrabando de ida e volta
O problema vai muito além de desvios em oleodutos. Especialistas descrevem uma operação de contrabando de "ida e volta": o petróleo roubado é transportado através da fronteira para ser processado em refinarias nos Estados Unidos. O diesel e a gasolina resultantes são então contrabandeados de volta ao México, onde entram no mercado a preços abaixo dos praticados legalmente. Trata-se de um circuito fechado de contrabando que transforma a principal matéria-prima do país em arma contra sua própria infraestrutura energética.
Pemex paga pelo que lhe roubam
O peso fiscal sobre a Pemex é agravado por uma peculiaridade da regulação mexicana. Apesar do roubo, a estatal continua obrigada a pagar royalties de produção ao governo sobre cada barril extraído — chegue ele a uma refinaria ou desapareça no mercado negro. Na prática, a Pemex paga pelo privilégio de ser roubada, o que aprofunda a pressão financeira sobre uma das petroleiras mais endividadas do mundo.
Com reportagem de Expansión MX.
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