Em Estocolmo, onde a sauna é menos um luxo e mais um ritual cívico fundamental, a administração de centro-esquerda da cidade está desmontando as barreiras privadas que cercam o vapor público. Novas diretrizes vão eliminar a exigência de filiação para saunas localizadas em terrenos públicos no centro da capital sueca. A mudança de política foi desenhada para garantir que esses equipamentos à beira d'água — muitas vezes administrados por associações fechadas — sejam acessíveis ao visitante casual, em vez de reservados a quem paga mensalidade.
A medida reflete uma tensão mais ampla no urbanismo contemporâneo: a disputa pela retomada do espaço público frente a interesses privados ou semiprivados. Ao eliminar o modelo de filiação, a cidade pretende transformar essas saunas em equipamentos genuinamente públicos. Defensores da mudança argumentam que terrenos pertencentes ao contribuinte não deveriam abrigar clubes exclusivos — sobretudo num momento em que a demanda por banhos ao ar livre durante o ano inteiro segue em alta nos países nórdicos.
A decisão, porém, encontrou resistência firme da oposição política, que enxerga na medida um excesso de intervenção ideológica. Jonas Naddebo, presidente distrital do Centerpartiet (Partido do Centro), descreveu a política como resultado de um "travamento ideológico" da coalizão governante. Críticos sustentam que o modelo de filiação garante a estabilidade financeira e social necessária para manter essas instalações — e que uma democratização forçada pode solapar justamente as comunidades que as construíram e cuidaram delas ao longo dos anos.
Com reportagem de Dagens Nyheter.
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