Durante anos, o modelo pré-pago — conhecido localmente como recarga — funcionou como o principal motor de crescimento das gigantes de telecomunicações do México. Mas o cenário está mudando. Dados recentes indicam que o segmento deixou de ser um ativo confiável e se transformou em dor de cabeça estratégica para as incumbentes Telcel e AT&T, que lutam para manter o domínio sobre um público altamente sensível a preço.

Os números mostram um mercado em desaceleração. A Telcel, subsidiária da América Móvil, viu seu crescimento modesto de 0,9% no fim de 2023 virar uma contração de 0,6% ao final de 2025. A AT&T Mexico seguiu trajetória semelhante: sua taxa de crescimento caiu pela metade, de 2,8% para 1,4% no mesmo período. Embora os usuários pré-pagos gerem a menor receita média por usuário, seu volume os torna indispensáveis — eles representam 81,1% da base de clientes da Telcel e quase 72% da base da AT&T.

A erosão do domínio das operadoras tradicionais é impulsionada sobretudo pela ascensão das MVNOs (operadoras virtuais de rede móvel) como a Bait, que vêm minando as incumbentes com ofertas agressivas de dados e barreiras de entrada mais baixas. Essa pressão competitiva, agravada pelos efeitos persistentes da inflação e por novas exigências regulatórias de cadastro de aparelhos, força uma guinada tática. Para reter a fidelidade dos clientes, as gigantes agora precisam ir além da simples conectividade — enfrentando um mercado que valoriza flexibilidade e dados acima da lealdade a marcas tradicionais.

Com reportagem de Expansión MX.

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