O Ofcom, regulador de comunicações do Reino Unido, abriu formalmente uma investigação contra o Telegram após denúncias de que material de abuso sexual infantil (CSAM) está sendo compartilhado na plataforma. A medida representa uma escalada significativa nos esforços do governo britânico para fazer valer o Online Safety Act de 2023, legislação criada para responsabilizar plataformas digitais pelo conteúdo que hospedam.
A investigação foi motivada por evidências fornecidas pelo Canadian Centre for Child Protection, complementadas por uma avaliação interna do próprio Ofcom. Para o Telegram — plataforma que historicamente se posiciona como bastião de privacidade e interferência mínima —, a apuração representa um desafio direto à sua filosofia de moderação não intervencionista. O regulador examina especificamente se a empresa descumpriu suas obrigações legais relativas à remoção de conteúdo ilegal.
O atrito regulatório chega num momento em que o governo do primeiro-ministro Keir Starmer sinaliza o desejo de controles ainda mais rígidos, incluindo a possível proibição de redes sociais para menores de 16 anos. O Telegram negou "categoricamente" as acusações, afirmando ter reduzido de forma significativa a disseminação pública de CSAM desde 2018. Mas, à medida que Londres busca definir os limites da segurança digital, as alegações de vigilância interna da plataforma passam agora pelo crivo de uma apuração oficial e externa.
Com reportagem de InfoMoney.
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