O dólar comercial encerrou a segunda-feira praticamente estável frente ao real, cotado a R$ 4,98, em meio a uma nova onda de instabilidade geopolítica que reduziu o apetite global por risco. A busca por proteção se intensificou após os Estados Unidos apreenderem um navio cargueiro iraniano no fim de semana, o que provocou ameaças de retaliação por parte de Teerã. O episódio travou as expectativas de avanço diplomático: o Irã sinalizou que não participará da próxima rodada de negociações destinada a estender um frágil cessar-fogo de duas semanas.

O atrito internacional serve de pano de fundo sombrio para os dados econômicos domésticos. O Boletim Focus mais recente do Banco Central revelou uma piora nas projeções para 2026, com analistas revisando para cima as expectativas de inflação e de juros. A Selic projetada para o ano subiu a 13%, reflexo de preocupações persistentes com a trajetória fiscal de longo prazo do país — ainda que as estimativas de curto prazo para o câmbio tenham sofrido leve ajuste para baixo.

O comportamento resultante do mercado é de paralisia vigilante. Se o impulso imediato dos investidores é buscar a segurança do dólar diante da volatilidade no Oriente Médio, os deslocamentos domésticos na economia brasileira sugerem um período de recalibração mais complexo pela frente. Por ora, o mercado de câmbio permanece espremido na faixa estreita entre o conflito global e a ansiedade fiscal local.

Com reportagem de InfoMoney.

Source · InfoMoney