As taxas dos títulos públicos brasileiros subiram na segunda-feira, encerrando uma breve janela de alívio nos mercados à medida que a fricção geopolítica no Oriente Médio voltou a ditar o ritmo das negociações. A alta ao longo de toda a curva de juros do Tesouro Direto reflete um fim de semana de escalada nas tensões entre Estados Unidos e Irã, que desmontou na prática o frágil otimismo em torno do cessar-fogo anunciado recentemente.
A reação do mercado foi generalizada, atingindo tanto os títulos prefixados quanto os indexados à inflação. Os papéis de prazo mais longo registraram alguns dos movimentos mais expressivos: o IPCA+ 2060, referência entre os títulos atrelados à inflação, subiu para 6,99%, enquanto as taxas de vencimentos intermediários também avançaram. Essa "abertura" da curva indica que os investidores estão precificando um período mais prolongado de risco global, diante de um caminho diplomático entre Washington e Teerã cada vez mais bloqueado.
O principal catalisador da virada foi a apreensão de um navio iraniano pelos Estados Unidos, ato que levou Teerã a se retirar das negociações. Embora autoridades iranianas tenham declarado anteriormente que o Estreito de Ormuz estava aberto ao tráfego comercial, dados de rastreamento marítimo indicam que o corredor energético vital permanece em grande parte paralisado. Para mercados emergentes como o Brasil, essa combinação de travamento logístico marítimo e retórica militar elevada se traduz em prêmio de risco mais alto e renovadas preocupações inflacionárias.
Com o Ibovespa operando de lado e o dólar em leve alta, o mercado brasileiro se acomoda num estado de observação cautelosa. Investidores hesitam em assumir posições relevantes até que a trajetória imediata da crise no Ormuz fique mais clara. Por ora, o "desconto geopolítico" que chegou a favorecer brevemente os ativos brasileiros desapareceu, substituído pela volatilidade já conhecida de um mundo em que rotas comerciais e diplomacia seguem igualmente precárias.
Com reportagem de InfoMoney.
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