O dólar americano retomou sua posição de porto seguro global nesta terça-feira, impulsionado por uma combinação já conhecida de instabilidade geopolítica e custos crescentes de energia. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas fortes, subiu para 98,394, em reação ao colapso dos canais diplomáticos entre Estados Unidos e Irã. A valorização do dólar coincidiu com a alta nos rendimentos dos Treasuries e um salto nos preços do petróleo, com o barril de Brent rondando a marca de US$ 100.
O gatilho imediato para a virada foi o fracasso das negociações previstas no Paquistão. Teerã anunciou por meio da mídia estatal que não participaria mais das conversas, alegando repetidas violações americanas de um frágil cessar-fogo. Embora o presidente Trump tenha se movido depois para estender esse cessar-fogo — revertendo uma postura inicial mais belicosa —, o estrago na confiança dos mercados já estava feito. O sentimento de aversão a risco resultante empurrou o dólar para cima frente ao iene, ao euro e à libra, à medida que a perspectiva de uma resolução duradoura no Oriente Médio parecia se afastar.
Por trás desses tremores diplomáticos, o mercado também avalia o futuro da política monetária americana. Enquanto o Senado iniciava a sabatina de confirmação de Kevin Warsh, indicado pela Casa Branca para comandar o Federal Reserve, analistas do JPMorgan apontaram um paradoxo: embora o dólar se beneficie da incerteza imediata gerada pelo conflito, um cessar-fogo sustentado poderia, na verdade, enfraquecer seu impulso de longo prazo. Por ora, no entanto, a interseção entre a diplomacia paralisada e o aperto na oferta de energia reforçou o papel do dólar como principal ativo defensivo do mundo.
Com reportagem de InfoMoney.
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