Um projeto de lei bipartidário apresentado em março pelos senadores Tom Cotton e Chuck Schumer e pela deputada Elise Stefanik propõe proibir o uso, pelo governo dos Estados Unidos, de robôs terrestres fabricados na China — incluindo humanoides, quadrúpedes do tipo "cão-robô" e crawlers. O American Security Robotics Act chegou poucos dias depois de a Federal Communications Commission (FCC) endurecer as regras sobre roteadores de fabricação estrangeira, adicionando mais uma camada à campanha crescente de Washington para desacoplar tecnologias sensíveis das cadeias de suprimentos chinesas.
Segundo reportagem do IEEE Spectrum, as duas medidas são as mais recentes de uma sequência que já abrange semicondutores, guindastes portuários, dados logísticos, infraestrutura de telecomunicações, câmeras de segurança, veículos de passageiros e — desde dezembro de 2025 — sistemas aéreos não tripulados (UAS), como os vendidos pela DJI. O padrão é inconfundível. Mas o caso dos robôs terrestres introduz uma tensão que os formuladores de política ainda não conseguiram resolver: fabricantes americanos de robôs se beneficiariam da eliminação de concorrentes chineses no nível do produto final, mas muitos deles ainda dependem de componentes chineses mais abaixo na cadeia de valor.
Produto final versus a cadeia de suprimentos por baixo dele
Robôs terrestres ocupam o topo da cadeia de valor como bens acabados, diferentemente dos semicondutores, que estão sempre embutidos dentro de outros produtos. Essa distinção importa. Proibir um robô chinês acabado em um depósito federal ou uma base militar é uma ação regulatória relativamente limpa. Mas se a proibição se estendesse para baixo — impedindo fabricantes americanos de adquirir atuadores, sensores ou controladores de motor chineses —, o cálculo muda drasticamente. Empresas como a Ghost Robotics, uma das poucas firmas americanas posicionadas para absorver a demanda governamental, poderiam se ver incapazes de cumprir pedidos caso suas próprias redes de fornecedores fossem desarticuladas.
O sociólogo Kyle Chan, da Brookings Institution, que depôs perante o Comitê Especial do Congresso sobre competição estratégica EUA-China em abril, enquadra as restrições a robôs e roteadores como parte de uma "longa sequência de preocupações crescentes com segurança tecnológica". Ainda assim, a indústria de robótica nos Estados Unidos é incipiente. A adoção permanece modesta, e as cadeias de suprimentos ainda não amadureceram. Coreia do Sul e Japão produzem muitos componentes críticos para robôs, o que oferece um caminho potencial de substituição — mas apenas se os fornecedores aliados conseguirem escalar rápido o suficiente e se Washington oferecer o tipo de clareza em política industrial que, até agora, tem sido conspicuamente ausente.
Lições do fiasco dos drones
O mercado de UAS oferece um precedente de alerta. Produtores chineses dominam o setor de drones de forma tão avassaladora que, quando a FCC adicionou os UAS à sua lista de proibição de importações em dezembro, o corte abrupto deixou a indústria doméstica em polvorosa. Chan descreveu a proibição dos drones como "uma virada brusca e rápida, que deixou a indústria na mão", destacando a ausência de um plano para expandir a produção doméstica antes de cortar a dependência chinesa. O caso dos roteadores conta uma história sutilmente diferente: a China respondia por apenas 1,1% das importações americanas de roteadores em valor em 2025, contra cerca de 20,5% em 2019, segundo a Global Electronics Association. Vietnã, México e Tailândia já forneciam mais de dois terços do mercado. Mesmo assim, a medida da FCC surpreendeu o setor, e as isenções condicionais de 18 meses concedidas a empresas como Netgear e Adtran evidenciam a incerteza regulatória que os fabricantes enfrentam.
Stephen Ezell, da Information Technology & Innovation Foundation, argumenta que os Estados Unidos carecem de "uma estratégia séria e abrangente" para orientar sua abordagem na competição tecnoeconômica com a China. O caso dos robôs terrestres cristaliza essa crítica. Os formuladores de política estão empilhando restrição sobre restrição — o apoio bipartidário garante continuidade entre governos —, mas sem um arcabouço coerente que distinga vulnerabilidades reais de segurança de impulsos protecionistas mais amplos. O economista Shawn DuBravac, da Global Electronics Association, aponta que as vulnerabilidades reais frequentemente residem em software desatualizado, sistemas sem correções de segurança e senhas padrão nunca alteradas, não necessariamente no país de origem do produto.
Enquanto o American Security Robotics Act tramita no Congresso e a FCC continua refinando sua lista de produtos cobertos, a questão central para a indústria de robótica dos EUA não é se o desacoplamento vai acontecer — vai —, mas se será conduzido com precisão e visão de longo prazo suficientes para construir capacidade doméstica genuína, ou se vai repetir o padrão de proibições abruptas que deixam empresas americanas presas entre a ambição política e a realidade da cadeia de suprimentos.
Com reportagem de IEEE Spectrum Robotics
Source · IEEE Spectrum Robotics



