Robôs nucleares ainda dependem de cabos — mas isso pode mudar
A limpeza de um reator nuclear desativado é uma coreografia lenta e mecânica, executada em ambientes hostis tanto para o tecido humano quanto para o silício. Desde o desastre de 2011 em Fukushima Daiichi, robôs são os principais agentes de caracterização e descontaminação, mas seguem em grande parte presos por cabos de rede local (LAN) que frequentemente se enroscam nos escombros. Para cortar essa dependência, pesquisadores do Institute of Science Tokyo desenvolveram um receptor sem fio capaz de sobreviver à radiação intensa do interior de um reator.
500 quilograys: muito além do padrão espacial
Apresentado na IEEE International Solid-State Circuits Conference, em San Francisco, o receptor suportou uma dose total de radiação de 500 quilograys — um patamar ordens de grandeza acima dos padrões exigidos de eletrônicos projetados para o espaço. A resistência é fruto do trabalho do doutorando Yasuto Narukiyo e de seus colegas Atsushi Shirane e Masaya Miyahara. O objetivo do grupo é substituir os cabos físicos por um sistema robusto de controle sem fio, evitando que um cabo preso interrompa uma missão crítica em um ambiente de alto risco.
Demanda crescente à medida que reatores envelhecem
As implicações vão além da resposta a desastres. Usinas nucleares são estruturas com vida útil finita; em algum momento, chegam ao fim de sua operação e exigem desmontagem meticulosa para que o terreno possa ser reutilizado. Dos 204 reatores já fechados no mundo, apenas uma fração pequena foi totalmente descomissionada. À medida que o parque global envelhece, a demanda por robôs capazes de navegar esses labirintos radioativos sem a limitação de um cabo só tende a crescer. Ao tornar mais resistente a camada de comunicação, os engenheiros estão tornando o longo e necessário processo de aposentadoria nuclear mais seguro e mais eficiente.
Com reportagem de IEEE Spectrum Robotics.
Source · IEEE Spectrum Robotics



