Retomada histórica
O mercado de arte parisiense dá sinais claros de recuperação de sua estatura histórica. Em um leilão recente de arte moderna e contemporânea, a Sotheby's realizou €35 milhões (US$ 41 milhões), cifra que representa um aumento de 84% em relação à venda equivalente do ano anterior. Os resultados superaram com folga o teto das estimativas pré-venda, indicando um apetite renovado entre colecionadores internacionais por obras de proveniência profunda e longa ausência do olhar público.
O Monet que ninguém via há quase cem anos
A peça central da tarde foi Vétheuil, effet du matin (1901), de Claude Monet — obra-prima que permaneceu guardada em uma coleção privada francesa por mais de meio século e não era vista publicamente há quase cem anos. Após dez minutos de lances acirrados, a tela alcançou €10,2 milhões (US$ 12,1 milhões), estabelecendo um recorde para o artista em leilões na França. Sua peça companheira, Les Îles de Port-Villez (1883), seguiu o mesmo caminho e atingiu US$ 7,6 milhões, reforçando o poder de mercado duradouro dos pilares do Impressionismo.
Profundidade de mercado
Para além dos valores de manchete, a saúde do leilão ficou evidente na intensidade da disputa: quase 63% dos lotes foram arrematados acima de suas estimativas máximas, e mais da metade das obras estreava em leilão. Para a Sotheby's, o evento funciona como termômetro das ambições mais amplas da cidade. Enquanto o centro de gravidade do mundo da arte segue em movimento, Paris parece recuperar a confiança que definiu sua hegemonia em meados do século passado, atraindo com sucesso capital internacional de volta às margens do Sena.
Com reportagem de ARTnews.
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