A USA Rare Earth anunciou a aquisição da Serra Verde, operadora da primeira reserva significativa de terras raras do Brasil, localizada em Goiás, por US$ 2,8 bilhões. O negócio representa um movimento decisivo na corrida global por materiais essenciais à transição energética e a sistemas de defesa de alta tecnologia — e coloca um ativo estratégico brasileiro sob controle americano.
A aquisição está diretamente ligada aos esforços de Washington para se desvincular das cadeias de suprimento chinesas. Terras raras são fundamentais para os ímãs permanentes usados em motores de veículos elétricos e turbinas eólicas. Ao garantir 100% da produção inicial da Serra Verde pelos próximos 15 anos, a USA Rare Earth — que tem o governo dos EUA como acionista minoritário — se posiciona como contrapeso ocidental à dominância de longa data de Pequim nesse mercado.
A engenharia financeira e política do acordo reflete seu peso estratégico. No início deste ano, o governo americano injetou US$ 1,6 bilhão na USA Rare Earth, adquirindo uma participação acionária de aproximadamente 10% na empresa. A Serra Verde já havia sido atraída para a órbita americana por meio de um empréstimo de US$ 565 milhões da U.S. International Development Finance Corporation. Enquanto parlamentares brasileiros ainda debatiam a conveniência de criar uma estatal de terras raras, o mercado privado, impulsionado pela política industrial dos EUA, tratou de consolidar o ativo.
Para a CEO da USA Rare Earth, Barbara Humpton, a aquisição é "transformacional" e sinaliza a intenção da empresa de se tornar líder global no setor. A transação inclui um componente de US$ 300 milhões em dinheiro e consolida um fluxo de longo prazo de materiais cada vez mais vistos como a moeda essencial da economia verde do século 21.
Com reportagem de Brasil Journal Tech.
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